A cada mês, a faxineira Nailza Coimbra, de 44 anos, escolhe qual das contas da casa deixará de pagar. Nos últimos anos, tudo que ela consome ficou mais caro, menos o valor das faxinas que ela faz. Na hora de fazer as compras de supermercado, só resta parcelar. No mês seguinte vem o valor da parcela, e ela não dá conta de pagar. Assim, acaba “parcelando a parcela” do cartão de crédito.
No mês seguinte, a coisa fica ainda pior: vêm as parcelas somadas aos juros, e a necessidade de abastecer a casa novamente obriga a faxineira a dividir mais uma vez a fatura do cartão. Com o marido e um dos dois filhos desempregados, Nailza tem sido responsável por manter as despesas, que incluem o aluguel.
A história da Nailza poderia ser a de qualquer um dos milhões de brasileiros que, nesse tempo de crise, de salários baixos e de inflação alta, passa os dias com a corda no pescoço e a sensação de que o mês tem mais dias do que o salário consegue cobrir. E assim resta a questão: “Estou vivendo ou só pagando boleto?”.
“Tento pagar uma conta, acabo precisando usar o cartão de crédito de novo e vai indo, vou tentando negociar as contas maiores. Tem uns cartões que os juros são muito altos, de 20% ao mês, e quando você vê não consegue se livrar da dívida”, desabafa a faxineira.</CW>
Os números mostram que, assim como Nailza, que já vem nessa corda bamba há mais de dois anos, está a maioria da população. “Cerca de 63% da população brasileira está endividada, sendo que 77% dessas pessoas estão no cartão de crédito, e 9%, no cheque especial, que são as duas modalidades de empréstimo de dinheiro entre as mais altas do mundo, cobram mais de 450% ao ano de juros”, destaca o consultor de finanças pessoais Diogo Gonçalves.
Prioridades
Ciente do desespero que toma conta da maioria das pessoas endividadas, o consultor é taxativo: “enxergue a realidade, escreva quanto você ganha e qual é sua despesa do dia a dia”. Passeios em época de baixos rendimentos têm que ser em praças, parques e qualquer outra opção que não exija mexer no bolso, exemplifica. Outra dica: procure as contas com juros mais baixos se tiver que deixar de pagar alguma, indica o consultor. “Condomínios costumam ter juros baixos”, explica.
Para Nailza, que cobra R$ 100 pela faxina, a saída vai ser aumentar um pouco o preço do serviço: “O povo chora muito. Fico com medo de ficar sem trabalho, mas esse ano vou ter que aumentar pelo menos R$ 10, não vai ter jeito”.
TV a cabo e lazer viraram luxo para muita gente
Fernanda Colcerniani, de 33 anos, cortou a TV a cabo e a internet. Jacqueline Batista, de 28, também está só com TV aberta e reduziu drasticamente os passeios. Rosângela Costa cortou as duas coisas. Todas reduziram a lista do supermercado e, em vez de comprar roupas, estão optando pelas trocas.
Mas os sacrifícios em tempos de crise são feitos na fé de que as coisas vão melhorar. “Estou quase morrendo de tédio com a TV aberta. Os passeios não cortei porque preciso dessa válvula de escape. Cortei viagens, faço mais coisas em casa”, conta Fernanda. “Essa crise vai passar. Tenhamos fé!”, brinca Rosângela.
Jacqueline casou há um ano, é universitária e o marido autônomo. “Minha vida financeira está focada nas despesas imediatas. Nesse momento vivemos para pagar contas”.
Planilha. Seja de forma digital, em um caderninho ou separando o dinheiro para pagar cada conta em pacotes diferenciados, de qualquer maneira é preciso encontrar uma forma de organização. No site diogoesuagrana.com.br há uma planilha de modelo, com exemplos de receitas, despesas e aplicações, disponível para quem quiser baixar e se aventurar a organizar as contas na ponta do lápis para enfrentar o momento de crise financeira com sabedoria.
Inflação. O consultor de finanças pessoais Diogo Gonçalves, criador do blog Diogo e Sua Grana explica que há algum tempo o país vive uma época de salários baixos e inflação muito alta, mas a boa notícia é que isso está começando a dar sinais de melhora: “Vimos essa situação até o início do ano, depois os preços pararam de subir e já começaram a cair nos últimos dois meses”.
Paciência. Mas os empregos continuam estagnados e os salários não foram corrigidos, relativiza Diogo Gonçalves, portanto os trabalhadores de carteira assinada e autônomos como a faxineira Nailza Coimbra ainda vão demorar um pouco a sentir a melhora do mercado. “A vida é composta de estações, estamos em uma estação ruim agora, mas isso vai passar, até lá tem que rebolar”, explica o consultor.
Fonte e foto: O tempo
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